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segunda-feira, agosto 30, 2004

755 - histórias de táxis 

um dia apareceu-me na praça um velhote, forte, com barba por fazer, uma daquelas boinas coçadas do uso e já com o formato da cabeça, mesmo quando estão fora dela, algo andrajoso, e com duas bengalas.
queria que o levasse a uma povoação ainda distante, o que consistia num frete bem rentável.
só isso me fez aguentar o cheiro nauseabundo a fumo de lareira misturado com urina. no fundo era para isso que lá estava: para ganhar dinheiro e não para ter prazer em transportar as pessoas de um lado para o outro.
deixei-o numa curva, bastante larga em forma de U e com inclinação. quando saíu do carro, o que constítuiu uma trabalheira porque tinha partido as duas pernas e mal se aguentava com as bengalas, ficou de costas para a parte da estrada que tinha a inclinação a descer. ao meter as mãos nos bolsos para tirar o dinheiro, caíu completamente estatelado de costas no chão.
eu pensei "ai minha mãe! ainda me morre aqui o homem! mas porque raio aceitei eu o frete?"
inclinei-me sobre ele e perguntei-lhe se estava bem e se precisava de ajuda, esta última uma pergunta retórica, porque eu jamais conseguiria ajudá-lo a levantar-se, tal o tamanho da figura! que sim, que estava! lá conseguiu levantar-se, pagar-me e seguir caminho.
eu, abri as janelas todas do meu peugeot 504, direcção assistida a bíceps, mais o tecto de abrir e lá partir em direcção à praça!

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